Na adolescência vieram uma revolta e uma rebeldia extremas. Não queria ser nem fazer como toda a gente ou como a sociedade exigia, e a ilha onde vivia parecia-me pequena. Comecei a viajar muito cedo e emigrei, e foi longe que comecei a encontrar-me. África, a Europa, a Ásia, e hoje vivo na Ásia. Tenho um espírito nómada, ainda que goste de voltar a casa.
Cresci com um coração humilde e um amor imenso pelas pessoas, sobretudo por aquelas que eram diferentes e não encontravam o seu lugar, mas sem encontrar o meu propósito. Caí cedo na depressão. Perguntava-me porque tinha nascido nesta encarnação, e nada fazia sentido. Havia em mim uma imensa carência afetiva, que me levou a relações muito violentas. Vivi violência doméstica e violação, sem saber que estava a repetir um padrão ancestral. Mergulhei nas dependências para escapar à minha dor.
Quando encontrei o caminho da cura e da espiritualidade, tudo fez sentido. Foi como se me lembrasse. Tudo se tornou mais claro.
Mergulhei em mim. Curei a minha dependência afetiva, os meus medos e as minhas inseguranças. Aprendi a amar-me e aceitei, sobretudo, que tinha potenciais e dons que hoje partilho com o mundo. Fiz muitos portais de sombra. Atravessei vários portais de sombra e noites escuras da alma, e dei-me o espaço de sentir e de alquimizar, porque é preciso atravessar para depois poder ajudar. As minhas dores tornaram-se o meu superpoder. A espiritualidade fala muito de luz, mas eu falo também da sombra e da escuridão: a maestria é acolher os dois lados com sabedoria e amor.
Hoje acompanho pessoas a partir daquilo que superei e integrei. E continuo o meu processo, porque há sempre mais a descobrir do meu eu divino. Todos os dias se revela um dom, e todos os dias me surpreendo neste caminho.
Quem vem ter comigo carrega muita dor e quer ser libertado. Conheço este caminho, porque o atravessei.
As minhas raízes xamânicas não as aprendi: lembrei-me delas. Trabalho de forma muito intuitiva, com os elementos da natureza, com a terra e o que ela nos dá, e com as medicinas do rapé e do cacau. Canalizo a linguagem de luz, seres estelares, mestres e anjos através de códigos de luz, e faço transmissões energéticas canalizadas a partir da Fonte. Criei a cura do útero, porque no meu trabalho o nosso centro criador é uma ponte poderosa. Deixo-me guiar pela energia do momento e do grupo, e sinto que sou guiada por algo maior.
Sinto que faço parte de um todo e de múltiplos caminhos de cura. É como se me lembrasse de partes de mim que sabem por onde operar para fazer o meu trabalho de transformação e de rememoração.
O nome Amanayê Codes veio-me em sonho. É algo de que me lembrei, intimamente ligado ao xamanismo. Foi a minha irmã que me disse que existia um povo com esse nome no Brasil, e só então fui pesquisar. Não conheço esse povo, e foi uma sincronicidade que respeito. Os Amanayê Codes não têm qualquer ligação com os seus ensinamentos: são o que canalizei e integrei ao longo do meu próprio processo espiritual.